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Atualizado: 51 segundos atrás

Google volta a pagar compositores brasileiros por clipes no YouTube após acordo com editoras

qua, 04/04/2018 - 15:54

Disputa se arrastava desde 2013 e impedia autores de músicas de receber direitos autorais por vídeos de música no YouTube. Termos do acordo não foram divulgados; entenda. Playlist de música no YouTube Fabio Tito/G1 O Google fechou um acordo com entidades de músicos brasileiros e vai passar a pagar os compositores por clipes de suas músicas vistos no YouTube. Com isso, terminha uma disputa que se arrastava desde 2013 entre empresa dos EUA dona do site de vídeos e o Escritório Central de Arrecadação de Direitos (Ecad) e a União Brasileira de Editoras de Música (Ubem). As duas partes não revelaram os valores do acordo. Mas no final de 2016 já havia mais de R$ 8,8 milhões depositados em juízo pelo Google, que pedia uma definição de qual entidade deveria intermediar o pagamento. A discórdia dizia respeito ao percentual de faturamento do YouTube: as entidades queriam 4,8%, e o Google oferecia 3,6% - entenda aqui os detalhes da briga. "O acordo não encerra a luta por melhores condições de remuneração aos titulares de direitos autorais na Internet, mas representa importante avanço no respeito aos direitos autorais e na transparência da distribuição de música pela Internet", disse a Ubem em comunicado. "Os acordos vão nos ajudar a continuar desenvolvendo um ambiente no qual compositores e editores sejam devidamente remunerados", dissei

Cores da aquarela carioca de Zé Renato ganham vida no show 'Bebedouro'

qua, 04/04/2018 - 11:25

"É um show carioca. Viva o Rio de Janeiro!", saudou Zé Renato no palco do Teatro Riachuelo, no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ), após cantar o samba Diz que fui por aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha, 1964). De fato, o show Bebedouro pintou aquarela carioca de sons e ritmos que serviram de fonte para este cantor, compositor e músico de origem capixaba, mas que, pela vivência musical, pode ser considerado natural do Rio de Janeiro (RJ). Tão natural como A voz do morro (Zé Kétti, 1955), samba com o qual o artista – visto ao alto em foto de divulgação de Marcelo Castello Branco – encerrou show primoroso, irretocável, feito na noite de ontem, 3 de abril, com a adesão do parceiro carioca João Cavalcanti e com seis músicos excepcionais que tiraram sons típicos de big-band com o reforço do próprio Zé Renato, que se alternou no toque do violão e da guitarra eletroacústica. No palco, todas as cores dessa aquarela carioca ficaram vivas, fazendo com que o repertório autoral do já ótimo álbum Bebedouro, lançado em janeiro deste ano de 2018, soasse ainda mais refinado. Zé Renato no show 'Bebedouro' Divulgação / Marcelo Castello Branco Zé Renato foi na fonte ao montar o repertório do show Bebedouro, retratando a pluralidade dos sons cariocas em roteiro que partiu do suingue black rio de Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz, 2018) – samba-rock alocado na abertura da apresentação – e que passou pela bossa eternamente moderna do cancioneiro de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) e Vinicius de Moraes (1913 – 1980), representado no roteiro pela perfeição melódica e poética da canção O amor em paz (1960). Nessa rota, o samba do morro se amalgamou com o samba mais íntimo das boates, como exemplificou o arranjo feito pelo pianista Cristovão Bastos para o já mencionado samba Diz que fui por aí. Dentro dessa geografia musical carioca, o samba Sacopenapan (2018) contornou bairros como Copacabana e Humaitá, situando as vivências na cidade de Joyce Moreno e Zé Renato, parceiros no tema e também em outro samba, Noite (2018), cujo majestoso arranjo evidenciou o balanço do trio de metais. Sem afrouxar o conceito do show, Zé Renato rompeu os limites das águas do disco Bebedouro para ir na fonte rica do compositor carioca Edu Lobo, de cujo repertório Zé reavivou Uma vez, um caso (Edu Lobo e Cacaso, 1976) em número antecedido por citação de Repente (Edu Lobo e José Carlos Capinam, 1976). Outra fonte que jorrou límpida na estreia carioca do show Bebedouro foi a música do compositor Egberto Gismonti, de quem Zé cantou lindamente Ano zero (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro, 1972), reiterando habilidade como intérprete que ficou ainda explicitada quando o cantor deu voz à canção Carinhosa (2017) – apagando a má primeira impressão dessa parceria com Otto, (mal) gravada pelo artista pernambucano em disco do ano passado – e sobretudo quando, momentos depois, Zé interpretou Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975) e Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1978). Este hit do grupo vocal Boca Livre poderia ter soado batido, como concessão ao público, mas se renovou no sopro cool e minimalista de um trompete, a ponto de se impor como um dos pontos mais altos de show que transcorreu sem baixos. João Cavalcanti e Zé Renato no show 'Bebedouro' Divulgação / Marcelo Castello Branco Entre acertos sucessivos, merece menção honrosa a saudável ousadia de Zé de cantar (bem) o sucesso mais recente de Chico Buarque, Tua cantiga (2017), somente com o toque do piano de Cristovão Bastos, parceiro de Chico nessa cantiga que se situa entre a modinha e o lundu. Mesmo quando navegou em outros mares, como na morna Náufrago (Zé Renato e Nei Lopes, 2018), Zé Renato pareceu estar em águas cariocas. Tudo fluiu com precisão no palco, seja a simplicidade e a leveza que pautaram Vamos curtir o amor (2018), parceria com o novo baiano Moraes Moreira, seja a interiorização de Samba e nada mais, número feito com o parceiro João Cavalcanti em dueto harmonioso que se estendeu em Mulato (João Cavalcanti, 2012). Engrandecido na apresentação carioca de ontem pelo toque de músicos como o baixista Jamil Joanes e o saxofonista Zé Nogueira, integrantes da banda que fez emergir Amphibious (Moacir Santos, 1974) em número instrumental, o show Bebedouro resultou excepcional, reiterando o grande momento artístico de Zé Renato como cantor e compositor. (Cotação: * * * * *) Zé Renato no show 'Bebedouro' Divulgação / Marcelo Castello Branco Eis o roteiro seguido em 3 de abril de 2018 por Zé Renato na estreia carioca do show Bebedouro no Teatro Riachuelo, no Rio de Janeiro (RJ): 1. Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz, 2018) 2. Sacopenapan (Zé Renato e Joyce Moreno, 2018) 3. Noite (Zé Renato e Joyce Moreno, 2018) 4. Ano zero (Egberto Gismonti e Geraldo Carneiro, 1972) 5. Repente (Edu Lobo e José Carlos Capinam, 1976) 6. Uma vez, um caso (Edu Lobo e Cacaso, 1976) 7. Carinhosa (Zé Renato e Otto, 2017) 8. Vamos curtir o amor (Zé Renato e Moraes Moreira, 2018) 9. Agora e sempre (Zé Renato e José Carlos Capinam, 2018) 10. Diz que fui por aí (Zé Kétti e Hortênsio Rocha, 1964) 11. Samba e nada (Zé Renato e João Cavalcanti, 2018) – com João Cavalcanti 12. Mulato (João Cavalcanti, 2012) – com João Cavalcanti 13. Dentro de mim mora um anjo (Sueli Costa e Cacaso, 1975) 14. Toada (Na direção do dia) (Zé Renato, Claudio Nucci e Juca Filho, 1978) 15. O amor em paz (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1960) 16. Tua cantiga (Cristovão Bastos e Chico Buarque, 2017) 17. Amphibious (Moacir Santos, 1974) – números instrumental da banda 18. Navegantes (Zé Renato e Nei Lopes, 2018) 19. Ânima (Zé Renato e Milton Nascimento, 1982) 20. Pedra de mar (Zé Renato e Paulo César Pinheiro, 2018) / 21. Fonte de rei (Zé Renato e Paulo César Pinheiro, 2018) 22. Agogô (Zé Renato e Moacyr Luz, 2018) / 23. A voz do morro (Zé Kétti, 1965) – com João Cavalcanti Bis: 24. Noite (Zé Renato e Joyce Moreno, 2018) – com João Cavalcanti

'Intolerância' anuncia disco em que Lenine propaga afeto na canção 'Leve e suave'

qua, 04/04/2018 - 06:00

Música inédita feita por Lenine com Ivan Santos, parceiro com quem o artista (em foto de Flora Pimentel) já assinou composições como Do it (2004) e Amor é pra quem ama (2011), Intolerância é o primeiro single de Lenine em trânsito. Projeto audiovisual gravado pelo cantor em fevereiro deste ano de 2018 em apresentação fechada na casa de shows Imperator, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Lenine em trânsito chega ao mercado fonográfico em maio, em edição digital, antes da estreia nacional do show homônimo, programada para 19 de maio, em Salvador (BA). Logo na sequência, no decorrer da turnê, o projeto será editado nos formatos de CD, DVD e LP. Já o single Intolerância será lançado nas plataformas digitais ainda neste mês de abril. Em Lenine em trânsito, o cantor apresenta músicas inéditas – como Leve e suave, canção de autoria somente de Lenine em que o autor reforça a importância do afeto nos dias de hoje na letra que inclui os versos "Há de ser leve um levar suave / Nada que me entrave nossa vida breve / Tudo que me atreve a seguir de fato o caminho exato da delicadeza / E ter a certeza de viver no afeto" – entremeadas com músicas autorais já registradas anteriormente. Lenine com o pianista Amaro Freitas na gravação de 'Lenine em trânsito' Divulgação / Flora Pimentel Uma das músicas já gravadas é Lua candeia (Lenine e Paulo César Pinheiro, 2001), ciranda lançada há 17 anos na voz da cantora Margareth Menezes e ora revivida pelo pernambucano Lenine com o toque do piano do músico conterrâneo Amaro Freitas, grande revelação como instrumentista. O projeto Lenine em trânsito tem direção musical de Bruno Giorgi. Além de ter feito a direção musical, Giorgi toca guitarra, produz efeitos e faz vocais na banda integrada por JR Tostoi (guitarra e vocais), Guila (baixo, synth e vocais) e Pantico Rocha (bateria e vocais). Eis o cronograma da turnê nacional do show Lenine em trânsito: ♪ Maio de 2018: Dia 19_Salvador (BA)_Concha Acústica Dia 25_São Paulo (SP)_Tom Brasil Dia 26_São Paulo (interior)_Teatro Municipal de Paulínia ♪ Junho de 2018: Dia 8_Juiz de Fora (MG)_Cine-Theatro Central Dia 9_Rio de Janeiro (RJ)_Vivo Rio Dia 22_Porto Alegre (RS)_Opinião Dia 23_Curitiba (PR)_Teatro Ópera de Arame ♪ Julho de 2018: Dia 7_Vitória (ES)_Teatro da UFES Dia 14_Belo Horizonte (MG)_Palácio das Artes Dia 27_Recife (PE)_Teatro Guararapes

Morto há um ano, Jerry Adriani é revivido em biografia e em (outro) disco ao vivo

qua, 04/04/2018 - 05:00

Cantor paulistano que saiu de cena em abril do ano passado, aos 70 anos de vida, Jerry Adriani (29 de janeiro de 1947 – 23 de abril de 2017) terá a vida e obra revividas em biografia, que tem previsão de lançamento para o fim deste ano de 2018, e em disco ao vivo. Quem assina a edição do livro é o pesquisador musical Marcelo Fróes, cujo projeto é anterior à morte do cantor. Tanto que a ideia inicial – aprovada por Jerry – era editar uma biografia escrita na primeira pessoa a partir de transcrição de longa e inédita entrevista do cantor. O livro já tem publicação garantida. Já a edição de um disco ao vivo de Jerry está em fase de negociação por Fróes. Se concretizado, o projeto do álbum gera o segundo registro retrospectivo de show em discografia que compreende 31 álbuns lançados entre 1964 e 2012, já que, em 2009, Jerry lançou o CD Acústico ao vivo com sucessos da carreira.

Luan Estilizado grava com Elba para EP junino que também terá Teló e Fagner

ter, 03/04/2018 - 23:02

Elba Ramalho e Luan Forró Estilizado Reprodução / Facebook Elba Ramalho Elba Ramalho participa do EP com repertório junino que será lançado em maio por Luan Forró Estilizado. A gravação foi feita nesta primeira semana de abril, na casa da cantora paraibana, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Projeto criado em 2010 pelo cantor e sanfoneiro (também) paraibano José Luan Barbosa da Silva, a banda de forró Luan Forró Estilizado prepara disco direcionado ao circuito de São João que movimenta a indústria musical do nordeste do Brasil nos meses de junho e julho. Os cantores Bell Marques, Fagner e Michel Teló também participam do EP junino de Luan.

Vem à tona, com boas canções, álbum feito por João Donato com Ritchie em 1989

ter, 03/04/2018 - 09:16

No segundo semestre de 2016, João Donato gravou em dupla com o filho Donatinho um álbum, Sintetizamor (lançado em 2017), em que se permitiu dar voz a canções formatadas basicamente com sintetizadores. Uma das dez músicas do repertório inédito e autoral desse disco é Hao chi, tema instrumental composto por pai e filho, sem parceiros. Até então, Hao chi era inédita em disco, mas, a rigor, tinha sido gravada por Donato em 1989, ano em que o artista se aventurou a fazer álbum calcado nos sintetizadores pilotados por Donato com Ritchie, cantor, compositor e músico inglês que vivia no Brasil desde os anos 1970 e que fizera grande sucesso na primeira metade da década de 1980. Hao chi foi registrada por Donato no estúdio de Ritchie, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), para álbum, Janela da Urca, que somente vem à tona 29 anos após a gravação. Janela da Urca é um dos três álbuns inéditos embalados na caixa A mad Donato, lançada pelo selo Discobertas em março deste ano de 2018. Além dos três álbuns, uma também inédita compilação de gravações raras completa o lote de CDs da valiosa caixa. Capa da caixa 'A mad João Donato' Divulgação / Selo Discobertas Técnico de gravação do disco, Ritchie comandou o uso dos sintetizadores com sabedoria, evitando pasteurizar a música de Donato com excesso de timbres. Editado pelo pesquisador musical Marcelo Fróes, que desde 2014 vasculha o acervo pessoal do compositor e pianista acriano, o álbum Janela da Urca é álbum pontuado por canções com letras, cantadas pelo compositor com voz opaca, mas com grande musicalidade. Esse tipo de disco, com canções cantadas, não é muito comum na discografia de Donato. Dentre as (boas) canções de Janela da Urca, cabe destacar a rara A música do amor (feita por Donato com letra do compositor e poeta cearense Fausto Nilo), O amor se derrama – parceria bissexta de Donato com Antonio Cicero e Paulinho Lima até então somente registrada oficialmente em disco lançado em 1995 pelo ator e cantor Eduardo Conde (1946 – 2003) – e Entre o sim e o não (João Donato e Abel Silva, 1995), música lançada em 1995 em gravações das cantoras Simone e Lisa Ono. São canções aboleradas, com doses equilibradas de romantismo e latinidade. Lua dourada – música apresentada por Donato em 1986 no álbum Leilíadas com o título de Leila VI e reapresentada em Janela da Urca em duas versões cantadas (com a letra de Fausto Nilo e com adesão vocal de Ritchie) e em registro instrumental – se enquadra nesse formato palatável que vem seduzindo intérpretes desde meados dos anos 1970. Janela da Urca, o improvável álbum feito por João Donato com sons sintetizados por Ritchie, abre espaço para tais canções. (Cotação: * * * *)

Samba inédito de Caetano agrega valor ao show que junta Bethânia e Pagodinho

ter, 03/04/2018 - 06:00

O fato de o show De Santo Amaro a Xerém apresentar músicas inéditas no roteiro agrega valor adicional à turnê que promove, no palco, o encontro inusitado e também inédito de Maria Bethânia com Zeca Pagodinho. Inclusive porque uma dessas músicas é contribuição de Caetano Veloso. Caetano compôs para o show um samba de roda naturalmente intitulado De Santo Amaro a Xerém – nome do espetáculo e também de outro samba de roda de autoria de Leandro Fregonesi que vem sendo ensaiado pelos cantores. Afinal, desde o álbum Âmbar (1996), lançado há 22 anos, Bethânia não ganha música inédita do mano Caetano. Cabe lembrar que a cidade natal dos baianos Bethânia e Caetano, Santo Amaro da Purificação (BA), é uma das terras do samba de roda da Bahia. Na letra do samba, Caetano ergue a ponte que liga Santo Amaro ao bairro de Xerém, QG do carioca Zeca Pagodinho no município fluminense de Duque de Caxias (RJ). Essa ponte Rio-Bahia sustenta o conceito do show, embora o roteiro tenha set cantado somente por Bethânia e outro somente por Zeca, além dos esperados duetos. Além dos sambas de roda, o roteiro também poderá incluir outra música inédita de Leandro Fregonesi. O compositor carioca celebra afetuosamente a cidade de Santo Amaro da Purificação (BA) no samba Pertinho de Salvador. Esse samba inédito também vem sendo ensaiado por Bethânia e Padoinho (em foto de Daryan Dornelles). A turnê nacional do show De Santo Amaro a Xerém começa no próximo sábado, 7 de abril, na casa Classic Hall, em Olinda (PE), seguindo depois para Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) com o encontro de Bethânia e Pagodinho.

Arnaldo Antunes 'choca' disco que será beneficiado pela turnê dos Tribalistas

ter, 03/04/2018 - 05:00

"Chocando um novo disco. Aguardem". Somente com essas palavras, escritas em post publicado com a imagem de dois ovos no mato, Arnaldo Antunes sinaliza nas redes sociais que se prepara para lançar um álbum de músicas inéditas em meio aos preparativos para a primeira turnê do trio Tribalistas, programada para acontecer entre agosto e setembro deste ano de 2018. O último álbum de estúdio do cantor e compositor paulistano foi o anêmico Já é (2015), lançado há três anos com produção assinada por Kassin – disco ao qual se seguiu, em 2017, DVD com o registro de show captado em Lisboa. O próximo álbum de Arnaldo será o 11º título da discografia solo de estúdio do ex-Titãs – ou o 12º se contabilizado o CD lançado em 2000 com a trilha sonora composta por Arnaldo (em foto de Daniel Mattar) para balé do Grupo Corpo. De qualquer forma, esse novo disco da carreira solo do cantor – iniciada há 35 anos com a edição do concretista álbum Nome (1993) – será beneficiado pela visibilidade atípica alcançada pelo artista em 2018 por conta da turnê dos Tribalistas, alavancada na mídia e nas redes sociais pela presença de Marisa Monte no trio.

Dupla Marcos & Belutti se une a Marília Mendonça no ritmo latino da bachata

seg, 02/04/2018 - 23:02

Depois da onda de reggaeton, outro ritmo da música latina começa a invadir o universo pop brasileiro. É no ritmo da bachata – gênero da República Dominicana, recorrente no cancioneiro de artistas como o cantor e compositor Juan Luis Guerra, para citar somente um exemplo – que a dupla Marcos & Belutti se junta pela primeira vez com a cantora Marília Mendonça no single Cancela o sentimento. Disponível nas plataformas digitais desde ontem, 2 de abril de 2018, o single do trio apresenta música inédita composta por Luiz Henrique Paloni, Matheus Marcolino e Vinicius Poeta. A produção do single Cancela o sentimento é assinada por Fernando Zor.

Com clipe para filho autista, Godá promove álbum que evoca o folk e country dos EUA

seg, 02/04/2018 - 10:07

Fossem cantadas em inglês, canções autorais como Adiante, Dias passados e Junto a você poderiam figurar em disco de cantor norte-americano de folk. Mas as letras são em português e corroboram o tom autobiográfico de Nômade, álbum do cantor, compositor e músico paulistano Renato Godá (em foto de Cisco Vasques). O disco foi lançado em edição digital em 24 novembro de 2017, ganhou edição física em CD neste ano de 2018 e está sendo promovido hoje, 2 de abril, Dia mundial de conscientização do autismo, com o lançamento do clipe da música Chegada. Assim como o clipe, a música é homenagem de Godá ao filho autista, Tom, de oito anos. Chegada é a canção de tom mais pessoal, confessional e poético de Nômade, álbum produzido por Alexandre Fontanetti. O folk dita o ritmo do repertório autoral, mas faixas como Longe eu vou e (sobretudo) 50 cavalos – única música composta por Godá com parceiro (no caso, com Fabricio Carpinejar) – também evocam o universo da música country norte-americana. Capa do álbum 'Nômade', de Renato Godá Arte de André Stephan Formatado com músicos como Renato Galozzi (violões, guitarras, mandolim e banjo), Carneiro Sândalo (bateria) e Otávio Gale (contrabaixo), além do produtor Alexandre Fontanetti (nas guitarras, violão e banjo), o álbum Nômade foi gravado ao vivo, em três dias de estúdio, sem ensaios prévios. "Eu gosto da gravação espontânea, de encontrar a minha banda no estúdio, ligar os equipamentos e simplesmente tocar as músicas. Quando é dessa forma, soa diferente, o prazer é maior, a sonoridade é mais bruta, tem mais a minha cara, é como montar um cavalo arisco", compara Godá. O toque da gaita de Ivan Márcio, músico creditado como participação especial na ficha técnica da edição em CD do disco, ajuda a sublinhar na música Sem querer te transformar a atmosfera country-folk do álbum Nômade.

Parceiro de Sandy e Iorc, Daniel Lopes cai no samba com o EP 'Todo mundo é DJ'

seg, 02/04/2018 - 08:18

Parceiro de Sandy (em Respirar, música de 2016) e de Tiago Iorc (em Um dia após o outro, canção lançada por Iorc 2013), entre outros cantores e compositores, o carioca Daniel Lopes cai pela primeira vez no samba de forma ampla, geral e irrestrita no ainda inédito EP Todo mundo é DJ. O disco apresenta cinco músicas compostas pelo artista com (tentativas de) referências aos cancioneiros de bambas como João Nogueira (1941 – 2000), Moreira da Silva (1902 – 2000) e Paulinho da Viola, assim como à obra de diluidores como Bebeto. Além da música-título Todo mundo é DJ, Daniel dá voz ao Samba do medo de avião, ao Samba do otário e às músicas Chatinha pra namorar e em Mexe em nada não. Embora já tenha incursionado ocasionalmente pela cadência bonita do samba, trata-se do primeiro disco dedicado inteiramente ao gênero por esse cantor, compositor, músico e produtor que, a título de curiosidade, assinou a trilha sonora do réveillon carioca de Copacabana na virada de 2017 para 2018. "Apesar de eu ser mais conhecido pela minha ligação com o rock e o pop, já flertei com o samba algumas vezes. Mas é a primeira vez que caio realmente dentro da linguagem do samba, ainda que eu toque guitarra nesse disco, e não violão", ressalta Daniel Lopes.

Na batida do coração, Drik Barbosa reflete quebra da corrente machista em 'Espelho'

seg, 02/04/2018 - 05:00

Em um mundo ideal que equilibrasse igualitariamente o poder masculino e a força feminina na indústria da música, Drik Barbosa deveria estar lançando o primeiro disco solo – Espelho, EP com cinco músicas autorais de autoria da emergente rapper paulistana de 25 anos, compositora desde os 14 – sem depender do esquema empresarial de dois manos amigos e simpatizantes da causa feminista, Emicida e Evandro Fióti, diretores da gravadora, Laboratório Fantasma, que põe o disco (em edições digital e física) de Drik no mercado em parceria com a Pomm_elo. Contudo, no mundo real, as mulheres ainda são minoria no universo do hip hop e, em maioria, dependem do aval de colegas mais bem-sucedidos, como Emicida, para ganhar visibilidade. Foi assim com Drik, projetada de forma mais ampla na cena através de sucessivas gravações feitas com Emicida desde 2015. Só que a rapper – vista ao alto em foto de Luciana Faria – tem voz própria. Uma voz ativa, já ouvida nas gravações do coletivo feminino Rimas & Melodias. Tanto que o EP Espelho também reflete a libertação da mulher que se desprende das correntes machistas, como rima Drik em Camélia (Drik Barbosa e Grou), rap contundente em que, sobre a batida do parceiro Grou (produtor de quatro das cinco faixas do disco), a artista cita nominalmente a cantora norte-americana Nina Simone (1933 – 2003) e a atriz carioca Taís Araújo no discurso que celebra o progressivo empoderamento feminino das mulheres negras nas artes e na sociedade. A rapper Drik Barbosa Divulgação Laboratório Fantasma / Luciana Faria Sim, Drik Barbosa também bate na necessária tecla do racismo. Aliás, a rapper já foi direto ao assunto no primeiro (brilhante) single do EP, Melanina (Drik Barbosa, Deryck Cabrera, Grou e Rincon Sapiência), única faixa do disco que tem produção musical assinada por Deryck Cabrera. "A ginga predomina / Não mexe com as minas / Não mexe com as pretas na pista", avisa Drik, imperativa, na faixa composta e gravada com a adesão do rapper Rincon Sapiência. Ter poder feminino no rap é ter o direito de seguir a batida do coração, como Drik deixa claro em outro verso do EP. O que justifica a amenização do discurso no R&B romântico Inconsequente (Drik Barbosa, Grou e Dcazz), música com menor poder de sedução no conjunto do repertório do EP, e em Banho de chuva (Drik Barbosa e Grou), tema em que a rapper versa sobre a dureza da vida com sensibilidade e sem a virulência (também por vezes necessária) dos manos do hip hop. Capa do EP 'Espelho', de Drik Barbosa Divulgação / Laboratório Fantasma Na autobiográfica música-título Espelho, Drik dá voz a MC Stefanie, parceira da rapper, do beatmaker produtor Grou e de Emicida na composição desse rap com toque de R&B que funciona como carta de princípios de Drik. Stefanie adensa o discurso, suavizado pela batida do coração da anfitriã. "Por onde passei, deixei rastros de amor", inventaria Drik Barbosa, promissora voz feminina e afetiva do hip hop brasileiro.

Baixista André Rodrigues sai de cena como um dos músicos mais versáteis do Brasil

dom, 01/04/2018 - 23:02

O baixista André Rodrigues Andre Muzell / Reprodução Facebook André Rodrigues O fato de o nome do baixista André Rodrigues ter constado nas fichas técnicas de discos e/ou shows de artistas conceituados como Ana Carolina, Gabriel O Pensador, Leila Pinheiro, Lulu Santos, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Marina Lima e Vanessa da Mata, entre outros nomes, já é suficiente para atestar o virtuosismo deste músico carioca que saiu de cena na manhã de ontem, 1º de abril de 2018, aos 50 anos, vítima de atropelamento na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Contudo, André Negão – como Rodrigues era conhecido nos bastidores do universo pop brasileiro – se destacou como músico por aliar versatilidade a esse virtuosismo. André Rodrigues foi baixista preciso, dono de técnica e suingue exemplares. Tanto que tocava samba e funk com a mesma destreza com que tocava rock e jazz. Para passar a técnica adiante, o artista lançou um livro didático – Baixo, publicado em 2000 pela editora Irmãos Vitale na série Toque junto – em que ensinava as principais linhas de baixo aos colegas iniciantes. Músico profissional desde 1991, André Rodrigues logo se projetou como baixista, ficando conhecido já em meados dos anos 1990. Depois de tocar baixo no primeiro álbum de Marina Lima como intérprete, Abrigo (1995), André passou a trabalhar com Lulu Santos, tocando em vários discos e shows do cantor e compositor carioca. Paralelamente ao ofício de músico acompanhante de cantores populares, o baixista integrou um grupo de música instrumental, FOCO, formado com João Castilho (guitarra), Marcelo Martins (sax) e Renato Calmon (bateria). Com o quarteto, lançou dois discos, FOCO (2001) e Tempo bom com chuva (2005). Entre um CD e outro do grupo, Rodrigues editou álbum solo, Codificado, de 2004. Mais recentemente, fundou com o saxofonista AC os grupos de música instrumental Atelier Jazz e Ponte Aérea (este também integrado pelo baixista Giba Favery e o pianista Marcelo Elias). Enfim, André Rodrigues sai de cena como um dos músicos mais completos do universo pop brasileiro.

Dupla criada por Leo Jaime e Leoni lança single em que atualiza 'A fórmula do amor'

dom, 01/04/2018 - 10:27

Leoni e Leonardo. Com nome que alude espirituosamente à dupla sertaneja Leandro & Leonardo, a dupla formada por Leoni com Leo Jaime – Leonardo Jaime, na certidão de nascimento – lança na próxima sexta-feira, 6 de abril, o single A fórmula do amor II. Nessa composição inédita, Leoni e Leo atualizam e avaliam, com o benefício da maturidade, a receita juvenil de A fórmula do amor, música que compuseram juntos, no alvorecer das respectivas carreiras, e que foi lançada em 1985 em gravações diferentes incluídas em álbuns de Leo Jaime (Sessão da tarde) e do Kid Abelha (Educação sentimental). Embora incorpore termos atuais como instagram, a letra da música nova dialoga com versos do hit de 1985. Cabe lembrar que A fórmula do amor II surge no mercado fonográfico quatro meses após Paula Toller ter lançado single com regravação da música original A fórmula do amor. A canção pop de 1985, aliás, é um dos grandes destaques do roteiro de Como eu quero!, show solo com o qual a cantora e compositora carioca está em turnê nacional desde o segundo semestre de 2017. E por falar em show, Leo Jaime e Leoni – vistos em foto de divulgação de Carolina Warchavsky – também estão na estrada com o show intitulado Leoni e Leonardo e estreado vinte anos após a dupla de cantores e compositores ter se reunido no palco, em 1998, para montar nostálgico painel da modernidade musical da década de 1980 no show Fotografia.

Erasmo abre parceria com Samuel Rosa em disco em que canta inédita de Calcanhotto

dom, 01/04/2018 - 09:39

Erasmo Carlos abre parceria com o compositor mineiro Samuel Rosa, vocalista do grupo Skank, no álbum de músicas inéditas que o Tremendão lança em meados deste ano de 2018. Novo sentido é o nome da primeira parceria dos artistas, cujos caminhos profissionais se cruzaram em 1994 quando o Skank gravou É proibido fumar (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1964), rock então lançado há 30 anos. A música Novo sentido é uma das novidades do repertório majoritariamente autoral do disco produzido por Pupillo sob a direção artística de Marcus Preto. No álbum, que será lançado pela gravadora Som Livre, o carioca Erasmo também dá voz a uma parceria com o rapper paulistano Emicida, Termos e condições, e a uma canção de Adriana Calcanhotto, Seu sim, gravada com o toque do violão da compositora. Outra música do disco é Amor é isso, canção composta por Erasmo sem parceiros. Há também parceria de Erasmo com Milton Nascimento, de título ainda não revelado. Gravado com banda formada por Bruno Di Lullo (baixo), Carlos Trilha (sintetizadores), Guilherme Monteiro (guitarra e violão), Luiz Lopez (violão de aço e vocais) e Pedro Dias (baixo e vocais), além do produtor Pupillo no toque da bateria, o 31º álbum de Erasmo Carlos já tem um single lançado, Não existe saudade no Cosmos (Teago Oliveira), apresentado em dezembro de 2017.

Dissertação sociológica gera livro sobre alcance das canções do Clube da Esquina

dom, 01/04/2018 - 08:48

Capa do livro "... De tudo que a gente sonhou" – Amigos e canções do Clube da Esquina Reprodução Em 2012, Sheyla Castro Diniz defendeu dissertação de mestrado em sociologia, na Unicamp, sobre a produção musical do núcleo de compositores que constituiu o movimento pop mineiro batizado de Clube da Esquina. Seis anos depois, a tese tem o texto editado publicamente na forma de livro. Com título que reproduz verso de O que foi feito de vera (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1978), o livro "... De tudo que a gente sonhou" – Amigos e canções do Clube da Esquina está sendo publicado pela editora Intermeios – Casa de artes e livros com apoio da Fapesp. A intenção da autora foi fazer o inventário do alcance e do significado político no Brasil daquele cancioneiro criado na década de 1970, sob o império ditatorial do regime limitar, pela turma de compositores liderada por Milton Nascimento, em torno do qual se juntaram nomes como Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes e Ronaldo Bastos, além de Fernando Brant (1946 – 2013), fiel parceiro e amigo de Milton desde 1967. "Texto e contexto, letra e música, gravação e interpretação, história macro da sociedade brasileira e história micro de um grupo, marginalidade e integração, regional, nacional e internacional, luta política e indústria cultural, censura, mercado e Estado, criatividade e padronização. Tudo isso aparece muito bem costurado no livro, revelando o talento da autora para – ao estudar o Clube da Esquina em geral e alguns discos de Milton Nascimento em particular – dar conta do movimento contraditório da sociedade brasileira de uma época", propaga o prefácio assinado por Marcelo Ridenti.

Senhor compositor que faria 60 anos em 4 de abril, Cazuza é poeta ainda vivo e atual

dom, 01/04/2018 - 05:00

Cazuza na capa de álbum solo de 1985 Flávio Colker O tempo não para e, no entanto, Agenor de Miranda Araújo Neto (4 de abril de 1958 – 7 de julho de 1990), o Cazuza, nunca envelhece aos olhos do público. É que Cazuza saiu precocemente de cena, aos 32 anos, deixando cristalizada no universo pop brasileiro uma imagem eternamente jovial, rebelde, de roqueiro indomado pela própria natureza exagerada. Na próxima quarta-feira, 4 de abril de 2018, Cazuza faria 60 anos de vida. É difícil imaginá-lo um senhor de idade. Mas o fato é que, se 28 anos após a saída de cena de Cazuza ainda se fala dele e ainda se canta a obra dele, é porque Cazuza foi um senhor compositor, dono de obra que tampouco envelhece. Essa obra reverbera em discos e shows que celebram o 60º aniversário de nascimento do artista. No exato dia do aniversário, Rogério Flasino e Wilson Sideral subirão ao palco do Circo Voador (RJ) na cidade natal de Cazuza, no picadeiro carioca que foi o primeiro cenário da consagração nacional do astro do pop brasileiro dos anos 1980, para cantar o repertório de Agenor com intervenções de Caetano Veloso (cantor que em 1983 chamou a atenção do público conservador da MPB para a poesia latente no cancioneiro de Cazuza) e de Bebel Gilberto (parceira de safra juvenil de 1986 que rendeu hits como Preciso dizer que te amo). Mais para o fim do mês, em 27 de abril, Roberto Menescal, Leila Pinheiro e Rodrigo Santos estreiam, também na cidade do Rio de Janeiro (RJ), show em que trazem o repertório de Cazuza para o universo da bossa nova – projeto que irá gerar CD e DVD. Faz parte do showbiz evocar a saudade dos ídolos que já saíram de cena. Contudo, se o poeta está vivo, como nunca deixou de estar desde 1990, é por conta da obra gravada ao longo dos anos 1980. Discos póstumos hão de pintar por aí, inclusive um com letra inéditas de Cazuza musicadas por nomes como Leoni e Bebel Gilberto, mas o que Cazuza deixou gravado em vida já é suficiente para que o poeta seja admitido no panteão dos grandes compositores da música do Brasil. O cantor e compositor Cazuza Reprodução / Site oficial Cazuza Cazuza se projetou no universo do rock dos anos 1980, mas nasceu no berço da MPB, filho de João Araújo (1935 – 2013) – desde os anos 1960 um dos mais importantes executivos da indústria fonográfica do Brasil – e de Lucinha Araújo, a supermãe que se tornou ativista, zelando na Sociedade Viva Cazuza pela saúde e inclusão social de crianças infectadas com o vírus da Aids. Essa vivência no seio da MPB, e da música que veio antes dessa MPB, influenciou Cazuza. Tanto que houve inusitado elo entre Cazuza e Maysa (1936 – 1977), cantora e compositora de personalidade igualmente exagerada que quebrou barreiras machistas nos anos 1950. Não por acaso, circula na web, na voz de Cazuza, registro extra-oficial do samba-canção Diplomacia, lançado por Maysa em disco de 1958, no ano em que Cazuza nasceu. Quando sentenciou que "o banheiro é a igreja de todos os bêbados", em versos do blues Down em mim (1982), Cazuza parecia atualizar o discurso desses mestres da dor-de-cotovelo, como Maysa e o compositor Lupicínio Rodrigues (1914 – 1974), aludindo ao mesmo tempo a uma música (dos anos 1920) reavivada no repertório da também exagerada Janis Joplin (1943 – 1970), Down on me. Na alegria ou na tristeza, Cazuza foi fundo, como um poeta beatnik que vagava pelos bares do noturno Baixo Leblon à procura de um algum sentido na vida louca vida. Pode ter pecado por excessos, nunca pela falta, rimando poesia com rebeldia a mil por hora, consciente de que o tempo não para e tampouco espera por alguém. Com lirismo e passionalidade, Cazuza expiou dor de amor e celebrou o prazer do sexo (e da própria vida urbana), mas também tocou nas feridas sociais, como a infância vivida no abandono das ruas, poetizada nos versos de Milagres (1984, em parceria com Roberto Frejat e Denise Barros). Ao ver a cara da morte, o poeta pareceu também ter se defrontado também com outras realidades da vida que lhe seria breve. Foi quando aguçou a visão crítica do Brasil (perfilado no homônimo samba roqueiro de 1988 que Cazuza assinou com George Israel e Nilo Romero) e do próprio ser humano, impiedosamente retratado nos versos do Blues da piedade (1988, parceria com Frejat). Enfim, é clichê recorrer ao verso-título da canção-tributo de Frejat e Dulce Quental, O poeta está vivo (1990), mas, sim, Cazuza está tão vivo quanto atual no mês em que festejaria 60 anos de vida breve.

Hyldon se joga na pista com single, 'Nova era dia 1', de raso discurso ambientalista

sab, 31/03/2018 - 10:36

Capa do single 'Nova era dia 1', de Hyldon Divulgação "Não jogue pet no mar / Não jogue guimba no chão", repete Hyldon no refrão imperativo de Nova era dia 1, single inédito lançado pelo cantor, compositor e músico baiano. Na gravação desta composição autoral, cuja letra é pautada por discurso ambientalista tão raso quanto bem-intencionado, o artista se joga na pista da música eletrônica, tentando se atualizar na cena contemporânea. Hyldon, para quem não liga o nome ao som, é artista projetado em meados dos anos 1970, com cancioneiro de linhagem soul que alcançou retumbante sucesso nacional em 1975, ano em que o artista lançou o álbum autoral Na rua, na chuva, na fazenda... com sucessos como As dores do mundo e Na sombra de uma árvore, além da música-título, conhecida popularmente como Casinha de sapê. Disponível nas plataformas digitais desde ontem, 30 de março de 2018, o single Nova era dia 1 é o primeiro lançamento fonográfico de Hyldon desde o álbum de músicas inéditas As coisas simples da vida (2016), lançado há dois anos.

Lula Queiroga poetiza o 'apagão da humanidade' em contundente álbum solo

sab, 31/03/2018 - 09:35

"Eu não sou seu camarada / Nunca serei conivente / Não sou seu sócio em nada / Não sou amante ou parente / Eu desconheço seu rosto / Mas reconheço a serpente / Quando o chocalho do rabo / Chacoalha na minha frente" Sem meias palavras, Lula Queiroga manda recado direto a um desafeto inominado nos versos de #XôPerrengue (Lula Queiroga), merengue que integra o afiado repertório autoral do quinto álbum solo desse cantor e compositor pernambucano, Aumenta o sonho (Edição independente). Meses após ter sido lançado em edição digital, em 7 de setembro de 2017, o disco ganha edição física em CD fabricada em embalagem digipack. O encarte dessa edição em CD reproduz as letras contundentes, gravadas com mix de sons orgânicos e sintéticos formatados pelo próprio Queiroga com Paulo Germano e Tostão Queiroga, coprodutores do disco. Contudo, há espaço para o respiro melódico de bela canção, Tardinha (Lula Queiroga e Manuca Bandini), formatada em registro acústico conduzido pelo toque do violão de Rogério Samico. Em que pese o ameno clima musical de Tardinha, há certa aflição e urgência nos versos da canção cuja poética romântica se alinha com a solidão de Não há nada lá fora (Lula Queiroga), outra canção de amor ausente. Lula Queiroga Divulgação / QRG A ansiedade solitária é um dos sentimentos que moldam o expressivo painel poético e sonoro do repertório do álbum Aumenta o sonho, como exemplifica Casa coletiva, parceria de Queiroga com o carioca Pedro Luís. Aliás, as audições de músicas como Casa coletiva, Amor roxo (Lula Queiroga) e da composição que batiza o disco, Aumenta o sonho (Lula Queiroga), remetem ao cancioneiro de Lenine. A evocação soa natural porque Queiroga é um dos principais parceiros do conterrâneo Lenine, com quem o artista, aliás, debutou no mercado fonográfico há 35 anos com álbum arranjado e gravado de forma conjunta, Baque solto (1983). Da parceria com Lenine, Queiroga rebobina A balada do cachorro louco (Fere rente) (Lenine, Lula Queiroga e Chico Neves, 1997), música lançada na voz do parceiro há 21 anos. Com pegada roqueira em Rio-que-vai-e-volta (Lula Queiroga), o álbum Aumenta o sonho – o primeiro de Queiroga desde Todo dia é o fim do mundo (2011), grande disco lançado há sete anos – expõe a efervescência criativa que pauta a obra solo de Lula Queiroga, compositor que divaga sobre "o vazio humano absoluto" no "grande apagão wi-fi da humanidade", para citar versos do discurso meio rapeado de Futilosofia (Lula Queiroga e Fabrício Belo). "Minha cabeça é meu Deus", resume o artista, sob o toque do cello de Fabiano Menezes, na derradeira música Minha cabeça é o fim (Lula Queiroga e Yuri Queiroga). Em Aumenta o sonho, Lula Queiroga canta como se todo dia fosse o fim do mundo. Aumente o som para ouvir bem! (Cotação: * * * *)

Gilson Peranzzetta lança em abril disco em tributo ao pianista de jazz Oscar Peterson

sab, 31/03/2018 - 08:01

Capa do álbum 'Tributo a Oscar Peterson', de Gilson Peranzzetta Aloizio Jordão Três meses após ter lançado em janeiro um álbum gravado ao vivo em show com Ivan Lins, Cumplicidade (2018), o pianista, compositor e arranjador carioca Gilson Peranzzetta já apresenta outro disco. Tributo a Oscar Peterson chega ao mercado fonográfico em abril pela mesma gravadora, Fina Flor, que editou o álbum ao vivo de Peranzzetta com Ivan. Como o título Tributo a Oscar Peterson já explicita, o CD solo de Peranzzetta celebra o legado do pianista canadense de jazz Oscar Emmanuel Peterson (15 de agosto de 1925 – 23 de dezembro de 2007), músico prodígio celebrado pela destreza e velocidade no toque do piano. Embora a extensa discografia desse pianista de técnica exuberante seja formada essencialmente por álbuns em que o músico priorizou a interpretação de obras alheias, Peterson também foi compositor, registrando eventualmente músicas próprias ao longo de obra fonográfica que atingiu picos de produção entre as décadas de 1950 e 1970. Na capa do álbum Tributo a Oscar Peterson, Gilson Peranzzetta é visto em foto de Aloizio Jordão.

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